Primeira mensagem para gestor ou recrutador no LinkedIn: por que a maioria fica sem resposta (e como montar a sua)
Sua abordagem no LinkedIn é a sua primeira venda. O que funciona, o que vai pro lixo e um gerador para montar a sua primeira mensagem em 1 minuto.
Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.
Quando comecei a postar mais no LinkedIn, fiz isso como parte de uma meta pessoal: ser mais ativa e próxima da minha rede. Em três meses me dediquei de verdade e, com isso, meu inbox virou praticamente um segundo emprego! 😅
Recebo muitas mensagens e currículos diariamente, de quem quer entrar no banco e de quem quer crescer dentro dele. E eu sei que não consigo responder tudo da forma e na velocidade que gostaria.
Mas uma coisa eu faço questão: responder sempre que posso. Porque sei que para quem manda a mensagem aquilo não é "só mais um inbox". É esperança. É coragem.
E, mesmo no meio dessa loucura, algumas pessoas acabam ficando na memória. Não pelos currículos impecáveis ou pela abordagem padrão que se aprende com os "gurus" de LinkedIn, mas pela conexão genuína.
Quero compartilhar o que aprendi lendo centenas de mensagens: o que funciona de verdade, o que vai direto pro lixo, e por que a maioria das abordagens não gera resposta nenhuma.
Por que a maioria das mensagens não gera resposta
Vou ser direta, porque respeito o seu tempo.
A mensagem que não funciona tem um padrão muito claro. Começa com "Olá, tudo bem?" (que ninguém responde porque parece spam). Continua com um parágrafo sobre quem a pessoa é, copiado do LinkedIn. Termina com "gostaria de uma oportunidade na sua equipe" ou "você poderia me indicar para alguma vaga?".
Essa mensagem foi enviada para 50 pessoas naquele mesmo dia. E as 50 perceberam.
Abordar alguém no LinkedIn é sua primeira venda. Se você quer trabalhar com vendas e relacionamento, seu pitch começa aqui. E o primeiro erro de qualquer venda é falar de si mesmo antes de demonstrar qualquer interesse real na outra pessoa.
O que torna uma mensagem inesquecível
Nos últimos meses, três pessoas ficaram na minha memória. Duas delas nem tinham a CPA ainda quando me abordaram. Mas as três fizeram algo simples e raro hoje em dia: conversaram comigo de verdade.
Não mandaram currículo de cara. Não pediram emprego na primeira mensagem. Não usaram linguagem corporativa engessada.
Uma delas tinha lido um post meu sobre processo seletivo no Itaú e comentou algo específico sobre uma situação que ela tinha vivido e que se conectava com o que eu falei. Depois de trocarmos alguns comentários, ela mandou mensagem se apresentando.
Outra me abordou depois de meses interagindo com meu conteúdo, perguntando como eu tinha decidido sair do Itaú depois de tantos anos. Uma pergunta sobre mim, não sobre ela.
A terceira foi pessoalmente a uma agência, conversou com o gerente, e depois me mandou mensagem contando o que tinha feito e perguntando se eu tinha algum feedback sobre a abordagem dela.
As três estão contratadas hoje. E eu tenho certeza de que a forma como elas se apresentaram teve muito a ver com o resultado.
O script que funciona (e que não parece script)
Seja para um gestor de agência ou para um recrutador(a), a mensagem que gera resposta tem três partes, e a ordem entre elas importa tanto quanto o conteúdo:
1. Um gancho específico
Não "vi seu perfil e me identifiquei". Algo real: "Vi o post que você fez sobre o processo seletivo do Itaú e me identifiquei com o que você falou sobre o papel do networking interno." Isso mostra que você leu, que processou, que tem opinião. Já te diferencia de 90% das mensagens.
2. Uma frase sobre você, só uma
Não o currículo inteiro. Uma frase que conecta quem você é com o porquê de estar falando com aquela pessoa. "Estou me preparando para entrar no mercado bancário e venho estudando muito sobre como funciona o processo seletivo nas agências."
3. Uma pergunta ou um pedido pequeno, não de emprego
"Você teria alguma dica sobre como abordar gestores de agência diretamente?" ou "Faria sentido trocarmos uma ideia rápida sobre isso?" Uma porta pequena é muito mais fácil de abrir do que uma porta grande.
Modelo de mensagem para gestor e recrutador no LinkedIn
Agora é a sua vez. Escolhe para quem é, qual é o seu gancho e o que você vai pedir, e a mensagem sai pronta nos três passos, do jeito que eu gosto de receber. Serve para gestor de agência e para recrutador(a) do banco. Depois é só ajustar com o seu jeito de falar e copiar.
Se você ainda conhece as certificações pelos nomes antigos: a CPA-10 virou CPA, e a CPA-20 e a CEA deram lugar à C-Pro R e à C-Pro I. Eu explico a mudança inteira, prova por prova, no guia das certificações ANBIMA.
E isso funciona de verdade: a Isabela Melo, que entrevistei na série Confissões, conseguiu a vaga de Analista de Seguros do Itaú começando por uma conversa no LinkedIn, e contou o passo a passo no post Confissões de uma Analista de Seguros do Itaú.
A estratégia dos comentários que ninguém usa
Tem uma tática que funciona ainda melhor do que mensagem direta, e que a maioria ignora: comentar estrategicamente nos posts dos gestores antes de mandar qualquer mensagem.
O algoritmo do LinkedIn notifica a pessoa quando alguém comenta no post dela. Se o comentário for genuíno, inteligente, que acrescenta algo à discussão, o gestor vai ver seu nome, vai passar o olho no seu perfil, e vai ter uma impressão formada antes de você chegar no inbox.
Quando a mensagem chega depois de dois ou três comentários bem feitos, você não é mais um desconhecido. É aquela pessoa que sempre tem algo interessante para falar.
O que fazer depois que a pessoa responde
Esse passo é onde a maioria estraga tudo. A pessoa respondeu, ótimo! E aí chega uma mensagem com currículo em anexo e um "aproveito para me candidatar a qualquer vaga disponível".
Não faz isso.
A resposta é o começo de uma conversa, não uma abertura para candidatura imediata. Responde com gratidão genuína pela resposta, acrescenta algo à conversa, e só depois, quando o relacionamento tiver alguma substância, você pode mencionar que está em busca de oportunidade.
O timing certo varia. Às vezes é na terceira mensagem. Às vezes é semanas depois, quando você já interagiu várias vezes nos posts da pessoa. O que não funciona é transformar a primeira resposta em processo seletivo instantâneo.
Construir presença antes de precisar dela
A estratégia mais poderosa de todas não é a mensagem de abordagem. É a presença construída antes de precisar abrir qualquer inbox. É exatamente isso que o SSI do LinkedIn mede, e dá para descobrir o seu ponto fraco em 1 minuto.
Quando você comenta regularmente nos posts de um gestor, com algo genuíno e relevante, ele começa a reconhecer seu nome. Quando ele posta uma vaga, o candidato que aparece no inbox com um "vi sua vaga e gostaria de me candidatar" e que o gestor já viu comentar com inteligência várias vezes, tem uma vantagem enorme sobre quem chega sem esse contexto.
A vaga não cria a oportunidade. O relacionamento construído antes dela é que cria. A vaga só é o momento em que isso se materializa.
Recados finais: um pra gestor, um pra candidato
Para quem está do lado da gestão: olhem com mais carinho para as mensagens que chegam. Não é só o currículo na Gupy ou o PDF formatado que revela talento. Muitas vezes, numa conversa de inbox, você percebe o que não está no papel: a garra, a vontade de fazer acontecer, a pessoa que vai aparecer no primeiro dia e dar o máximo porque escolheu esse lugar com intenção. A candidata que foi pessoalmente à agência não era a mais experiente. Era a mais determinada. E determinação, no banco, vale muito.
Para quem está buscando oportunidade: não seja só mais uma mensagem no meio de tantas iguais. Personalize. Seja genuíno(a). Mostre que você pesquisou, que você pensou, que você tem algo a dizer além de "estou disponível". O processo seletivo começa muito antes da entrevista. Começa na forma como você se apresenta.
E quando o gestor pedir o currículo, ele precisa estar pronto. O modelo de currículo para banco mostra a estrutura que passa na triagem.