Confissões de uma Analista de Seguros do Itaú: como conseguir a vaga trocando ideia no LinkedIn

Isabela Melo veio do mundo da moda e entrou no Itaú na área de seguros sem experiência bancária, só com posicionamento no LinkedIn e muita preparação.

Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.

Quando conheci a Isabela Melo, ela tinha um sonho, coragem, e zero LinkedIn.

Vinha do mundo da moda, decidida a trabalhar no banco, na área de seguros. Mas sem nenhuma ideia de por onde começar. 😅

O potencial era surreal. Só precisava de direção. Ajustamos o perfil, o storytelling, o posicionamento, a abordagem. E aí a mágica aconteceu: a Bella descobriu o networking.

O mérito foi todo dela. Ela tem luz, carisma, presença, é o tipo de pessoa que você fala dois minutos e já quer por perto. O networking se tornou algo natural. E exatamente por isso deu muito certo.

Resultado? Inúmeras conversas com gestores. Convite para várias entrevistas, e passou em todas. Mas o foco era o Itaú. Quando a vaga dos sonhos finalmente abriu, o gestor lembrou dela e convidou para participar. 🤯

O primeiro contato com o LinkedIn

Bella, você lembra do seu primeiro contato com o LinkedIn?

R: Eu abri o site e pensei: "ok, e agora?" Nunca tinha usado a plataforma. Sabe aquela música: "Você sabe o que é caviar? Nunca vi, nem comi, eu só ouço falar"? Era eu com o LinkedIn. Eu não sabia o que postar, quem seguir, como falar com ninguém. Mas percebi rápido que aqui não é currículo, é rede de pessoas! E como eu amo gente e sou curiosa por natureza, foi ótimo estar aqui. A plataforma foi ficando cada vez mais natural.

Como o networking começou de verdade

Como começou seu networking?

R: Fiz uma lista das empresas onde eu queria trabalhar. Depois, fui escolhendo perfis de profissionais que me inspiravam. Interagia nos posts, fazia perguntas, puxava papo no inbox sempre com base em algo que a pessoa tinha falado ou postado. Nunca aquele "Oi, tem vaga?", que é a abordagem que elimina qualquer chance antes de começar. Eu realmente queria conhecer as histórias das pessoas, entender como tinham chegado onde chegaram, o que tinham aprendido. E essa curiosidade genuína aparecia na forma como eu me comunicava.

A estratégia de abordagem com gestores

Você tinha uma estratégia para abordar gestores?

R: Eu SEMPRE pesquisava antes de chamar. Olhava o perfil inteiro, os posts recentes, o jeito de se comunicar, os temas que a pessoa tocava. A conversa começava a partir de algo específico: "Vi que você trabalha na área de seguros e achei incrível como você falou sobre tal coisa..." E a conversa fluía de forma natural. Eu pedia dicas também, e me surpreendi com a quantidade de respostas. Achava que ninguém ia responder para uma estranha. Mas tive respostas de muitos gestores, inclusive de alguns que depois se tornaram parte da minha trajetória. Personalização faz toda a diferença. A pessoa do outro lado sente quando você realmente leu o que ela escreveu.

Como manter as conexões vivas sem parecer interesseira

Como você mantinha essas conexões vivas sem parecer interesseira?

R: Sendo eu mesma! Eu não falava só sobre trabalho e vaga. Eu celebrava conquistas das pessoas, desejava boa sorte antes de apresentações importantes, compartilhava coisas que tinham a ver com o interesse delas. Quando a gente se importa de verdade, a outra pessoa sente. Conexão genuína não tem prazo de validade, fica, mesmo que a vaga não apareça imediatamente. Por isso lembraram de mim quando a vaga certa abriu. E até hoje eu faço interações genuínas, porque é quem eu sou, não porque é estratégia.

O conselho para quem tem vergonha de fazer networking

Qual conselho você deixaria para quem ainda tem vergonha de fazer networking?

R: Networking é conversa entre pessoas, nada mais do que isso. Seja curioso, seja interessado, seja real. Do outro lado tem alguém igual a você, que também começou do zero um dia, que também passou por insegurança, que também precisou de ajuda em algum momento. O segredo é ser de verdade. Sempre. Sem roteiro, sem script de abordagem copiado de post motivacional. Só você, com sua história e sua vontade genuína de se conectar.

O que a trajetória da Isabela ensina sobre carreira em seguros

A Bella não entrou em banco por vaga aberta na Gupy. Entrou porque construiu relação, durante meses, com pessoas que estavam na área que ela queria.

Isso tem um nome: construção de presença antes da necessidade.

A maioria das pessoas começa a fazer networking quando precisa de emprego. A Bella começou quando queria aprender, e o emprego veio como consequência de conexões que já existiam.

No segmento de seguros especificamente, essa abordagem faz ainda mais diferença. É uma área especializada, com profissionais que se conhecem, onde a indicação e o reconhecimento pessoal têm peso muito maior do que o currículo anônimo em uma plataforma de vagas.

Como se preparar para a área de seguros no banco

Se você quer seguir o caminho da Isabela para a área de seguros bancários, aqui está o que funciona:

  • Entenda os produtos com profundidade: seguro de vida, residencial, prestamista, previdência, proteção de renda. São universos diferentes com lógica e público diferentes.
  • A C-Pro R é o mínimo. Para seguros de vida e previdência, a SUSEP e a C-Pro I abrem portas adicionais.
  • LinkedIn ativo com conteúdo sobre seguros e proteção financeira: não só currículo, mas contribuição ao debate da área.
  • Aborde gestores da área com a estratégia da Bella: pesquisa antes, gancho específico, curiosidade genuína.

Os nomes mudaram em 2026: a CPA-10 virou CPA, e a CPA-20 e a CEA viraram C-Pro R e C-Pro I. Eu explico tudo no guia das certificações ANBIMA.

A área de seguros no banco é menos disputada do que o comercial de varejo, e forma muito bem quem tem perfil consultivo e boa comunicação.

O que diferencia networking que funciona de networking que incomoda

A trajetória da Isabela revela algo que poucos artigos sobre LinkedIn conseguem capturar: a diferença entre networking que funciona e networking que incomoda não está na técnica. Está na intenção.

Quando a Bella abordava um gestor, a intenção era genuína: conhecer a história da pessoa, aprender com quem estava onde ela queria chegar. A vaga era uma consequência possível, não o objetivo declarado da conversa. Se você quer montar a sua primeira mensagem nesse estilo, o gerador de mensagem para gestor e recrutador no LinkedIn faz isso em 1 minuto.

Isso aparece na escolha das palavras. Aparece no tom. Aparece no que você pergunta e no que você escuta depois de perguntar.

A pessoa do outro lado sente quando você está ali para pegar algo ou para trocar algo. E quando você está genuinamente disponível para trocar, a conversa flui de um jeito completamente diferente.

A área de seguros especificamente é um lugar onde relacionamento tem peso enorme: porque é um produto que as pessoas compram baseadas em confiança, não em comparação de taxa. O profissional que constrói sua presença com essa mentalidade desde o início chega muito mais longe do que quem trata seguros como mais um produto da carteira.

Para quem está mirando seguros bancários, o recado da Bella é o mais direto possível: seja de verdade. O networking vai acontecer como consequência.

O que a Isabela faria diferente se começasse hoje

Pergunta extra que fiz à Bella depois da entrevista: o que você faria diferente se começasse do zero hoje?

R: Teria começado o LinkedIn antes. Muito antes. Eu esperava ter algo "para mostrar" antes de me expor na plataforma: um cargo, uma conquista, uma certificação. Mas aprendi que o LinkedIn não é vitrine de resultado. É espaço de construção. Você pode mostrar seu processo de aprendizado, suas perguntas, suas reflexões. E isso atrai as conversas certas muito antes de você ter o currículo "pronto". Se eu soubesse disso, teria chegado onde cheguei em menos tempo.

Esse é o recado mais importante da trajetória dela: você não precisa esperar estar pronto(a) para começar. Você começa, e o estar pronto vai acontecendo no caminho. 🫶🏻

Essa conversa faz parte da série Confissões, em que quem vive o banco por dentro abre o jogo. Escolhe a próxima:

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