Fit Cultural do Santander: como o teste funciona e por que tanta gente é reprovada nele
Como o teste de Fit Cultural do Santander funciona por dentro, etapa por etapa, o que pesa a favor em banco, como ler a sua nota e o que fazer em cada situação, com um treino do seu top 2.
Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.
Se você está tentando entrar no Santander, lê isso aqui antes de abrir o teste de Fit Cultural. Depois de começar, não dá para voltar.
Toda semana chega alguém na minha caixa com a mesma pergunta: se candidatou, ficou animado(a), e dois dias depois veio uma negativa automática. Sem entrevista, sem conversa, sem explicação. Só um e-mail padrão agradecendo o interesse.
Quando eu olho o caso de perto, o diagnóstico quase sempre é um dos dois. Ou o currículo não passou nos filtros lá na entrada do funil, ou a pessoa se enrolou no teste de Fit Cultural.
E aí vem a pergunta que eu mais ouço.
Mas como assim errar num teste que não tem resposta certa?
R: Não existe uma lista de respostas certas, isso é verdade. Só que também não é um teste aleatório onde qualquer combinação dá no mesmo. Ele constrói uma hierarquia dos seus valores e compara com a hierarquia que a empresa já mapeou internamente. Se as duas ficam longe demais, o sistema te tira do processo antes de qualquer humano ler o seu nome.
Muita gente responde como se fosse quiz de rede social, marcando o que acha bonito. Não é isso. Calma que eu explico direitinho.
Neste post eu mostro o teste etapa por etapa, o que costuma pesar a favor em banco, como ler a sua nota e o que fazer em cada situação: antes de abrir o teste, depois de fazer, quando ele já aparece finalizado e quando chega a negativa.
O que esse teste é, tecnicamente
O teste que o Santander usa vem da Mindsight, e a metodologia por trás dele tem nome: OCP, ou Organizational Culture Profile. É um método acadêmico de mapeamento de cultura, usado há décadas, e ele não mede se você é uma boa pessoa nem se você é competente. Ele mede prioridade.
Essa é a parte que quase ninguém entende. O teste não pergunta se você valoriza organização. Ele pergunta se você valoriza organização mais do que autonomia. E depois se você valoriza autonomia mais do que estabilidade. É uma disputa entre coisas boas, e você é obrigado(a) a escolher.
Como funciona, tela por tela
A primeira tela te apresenta 33 frases sobre ambiente de trabalho, coisas mais ou menos assim.
- Ser orientado para resultados
- Tomar responsabilidade individual
- Ter expectativas de alta performance
- Ser orientado para a equipe
- Ter regras claras
- Ser organizado
- Tomar riscos
- Ser informal
- Ter estabilidade
- Ter autonomia
A partir daí são quatro etapas, e elas funcionam como um funil que vai apertando a cada passo.
No fim você não respondeu 33 perguntas. Você entregou um ranking completo do que importa e do que não importa para você num ambiente profissional. E é esse ranking que vai ser comparado.
Atenção: o teste não olha cada frase isolada. Ele olha a ordem. Marcar "ser organizado" entre as 12 e depois deixar essa frase cair fora nas 6 diz uma coisa completamente diferente de levar ela até o top 2.
As sete dimensões que ele mede por trás
Aquelas 33 frases não estão soltas ali por acaso, elas alimentam sete dimensões de cultura.
- Competitividade
- Responsabilidade social
- Solidariedade
- Inovação
- Ênfase em recompensas
- Orientação a performance
- Estabilidade
Cada frase que você escolhe empurra algumas dessas dimensões para cima e, por consequência, empurra outras para baixo. Não tem como subir todas. O teste foi desenhado exatamente para te forçar a abrir mão de umas em favor de outras.
E a nota que sai disso é uma nota de concordância com o perfil da empresa, não uma nota de qualidade. Na escala da Mindsight, 75 ou mais é concordância excelente, de 65 a 74 é alta, de 55 a 64 é média-alta, de 45 a 54 é média, de 36 a 44 é média-baixa, e até 35 significa que as suas prioridades e as da empresa estão em lugares diferentes. Em geral, fit acima de 45 já é lido como boa adaptação.
Arrasta a régua para ver o que cada faixa quer dizer:
Então existe resposta certa ou não?
R: Não existe resposta certa universal. Mas existe contexto, e ignorar o contexto é ingenuidade.
Pensa no que é um banco de verdade, não no banco que aparece no vídeo institucional. É uma operação altamente regulada. Tem meta mensal. Tem cobrança por resultado. Tem processo, compliance, auditoria, informação sensível de cliente, dinheiro dos outros passando pela sua mão todo dia. Tem responsabilidade individual que não dá para dividir com o time quando a conta não fecha.
Uma cultura que sustenta essa operação não é uma cultura de improviso. E o teste sabe disso, porque o perfil da empresa foi construído testando gente que já trabalha lá e dá certo lá.
O que costuma pesar a favor
Vale prestar muita atenção quando aparecer alguma frase ligada aos temas abaixo.
- Resultado
- Metas
- Alta performance
- Responsabilidade individual
- Qualidade
- Organização
- Precisão
- Atenção aos detalhes
- Regras claras
- Capacidade analítica
Não estou dizendo para marcar tudo isso de olhos fechados. Estou dizendo para reconhecer que essas são as coisas que sustentam a rotina de uma agência ou de um time comercial de banco, e que se nenhuma delas aparece no seu topo, o sistema vai ler que você provavelmente não se sentiria bem ali.
O que eu pensaria duas vezes antes de colocar no topo
- Informalidade
- Assumir riscos
- Ser diferente dos outros
Olha, nenhuma dessas é um defeito. Em uma startup de tecnologia, as três seriam ótimas respostas. Só que em banco, "assumir riscos" no topo da hierarquia de valores de alguém que vai mexer com dinheiro de cliente acende uma luz amarela. E "informalidade" no topo, num ambiente onde existe protocolo para quase tudo, também.
Dica: a regra que eu uso é simples. Antes de colocar uma frase no seu top 2, pergunta se você conseguiria defender essa escolha numa entrevista, olhando no olho do gestor, falando do trabalho que você quer fazer. Se a resposta trava, essa frase não é top 2.
Agora testa na prática. Escolhe as duas frases que você levaria para o topo e vê a minha leitura de cada uma:
O macete que quase ninguém conhece
Agora a parte que vale o post inteiro.
Já fez o teste e ficou naquela dúvida de não saber se foi bem ou não? Dá para consultar.
A Mindsight tem um Portal do Candidato. Você acessa com o mesmo e-mail que usou para fazer o teste e consegue ver a sua devolutiva. Uma observação importante: o portal mostra sempre a devolutiva mais recente, então cada teste novo substitui o resultado anterior que estava lá.
No relatório, os dois eixos que você quer ver são estes.
- Foco externo e diferenciação
- Estabilidade e controle
Esses dois juntos são o desenho mais próximo do que um banco grande espera. Se a sua devolutiva caiu longe daí, você tem uma informação concreta na mão, não um achismo, e dá para trabalhar em cima disso.
E se o teste já aparece como finalizado?
R: Acontece bastante. Você se candidata para uma vaga nova, recebe o e-mail do teste, clica e ele já aparece concluído. Isso porque a Mindsight reaproveita o seu resultado mais recente, inclusive de outro processo, desde que você use o mesmo e-mail. E para refazer o teste na mesma empresa, o manual do candidato deles fala em esperar 120 dias.
Nesse caso dá para abrir um chamado no suporte ao candidato da Mindsight, pelo site oficial deles, e solicitar o reset da avaliação. Se teve problema técnico, como queda da plataforma, da energia ou da internet, manda o print da tela junto. Fora disso, não é automático e não é garantido, o suporte analisa caso a caso. Mas existe essa possibilidade, e muita gente nem tenta porque não sabe que pode pedir.
Para não se perder, aqui está o próximo passo para cada situação. Toca na sua:
O que eu faria antes de abrir o teste
Se você ainda não fez, você está numa posição privilegiada e nem sabe.
Primeiro: reserva vinte minutos de verdade, mesmo que o teste em si leve uns sete. Não faz no ônibus, não faz com a TV ligada, não faz no intervalo do almoço com pressa. As últimas etapas do funil são as que mais pesam e são justamente as que as pessoas respondem correndo.
Segundo: antes de abrir, escreve num papel quais são os três valores que você levaria para qualquer trabalho. Só três. Quando as frases aparecerem na tela, você já vai ter uma referência sua, em vez de decidir na hora, olhando trinta e três opções ao mesmo tempo.
Terceiro: não tenta ser quem você não é. Isso não é conselho bonito, é conselho prático. Se você forçar um perfil que não é o seu e passar, você vai cair numa rotina que te desgasta, e isso aparece nos primeiros três meses. O objetivo não é enganar o teste, é responder com clareza em vez de responder no impulso.
Se quiser medir o seu fit antes de valer, eu montei um teste de fit cultural do Santander aqui no site. Ele não é o teste oficial, mas foi construído a partir do que eu vejo nos processos e ele te mostra onde você está antes de você gastar a sua única chance.
E se o seu problema for o outro diagnóstico, aquele do currículo que nem chega a ser lido, o caminho é diferente, e eu expliquei a estrutura que passa nos filtros no modelo de currículo para banco.
Perguntas que chegam toda semana sobre o fit do Santander
Quanto tempo leva o teste de Fit Cultural?
R: O teste em si leva uns sete minutos. Mesmo assim, reserva vinte, sem pressa e sem distração, porque as últimas etapas do funil são as que mais pesam.
Dá para ver a minha nota de fit com o Santander?
R: Não. A nota de concordância com a empresa fica com o banco. O que você consegue ver é a sua devolutiva no Portal do Candidato da Mindsight, que mostra o seu perfil e já ajuda a entender se ele está perto ou longe do que um banco grande procura.
Quem decide se eu passo, a Mindsight ou o banco?
R: O banco. A Mindsight aplica o teste e entrega o resultado, mas a decisão do processo e o retorno para você são da empresa que está contratando.
Posso refazer o teste se eu fui mal?
R: Para a mesma empresa, o manual do candidato da Mindsight fala em 120 dias. Antes disso, o reset só costuma sair quando houve problema técnico comprovado, e mesmo assim depende da análise do suporte.
Vale mentir no teste para passar?
R: Não. Forçar um perfil que não é o seu até pode passar, mas aí você cai numa rotina que te desgasta. O objetivo é responder com clareza, sabendo o que cada escolha comunica, e não fingir.
Uma última coisa
Fit cultural não é sobre ser bom ou ruim. É sobre encaixe. A mesma pessoa que não tem fit com um banco pode ter fit altíssimo com uma fintech, com uma cooperativa ou com uma assessoria, e vice-versa.
O erro não é ter um perfil diferente do banco. O erro é chegar no teste sem saber qual é o seu, responder no automático, tomar uma negativa em dois dias e achar que foi falta de sorte.
Não foi. Foi falta de informação. E essa parte agora você já tem.
E se você quiser se preparar comigo para o processo do Santander, do currículo ao teste e à entrevista, é isso que eu faço na mentoria. Os detalhes estão na página dos planos da mentoria. Tô na torcida por você! 🫶🏻