Confissões de uma CANDIDATA do Itaú: como ela passou em mais de 5 entrevistas?

Alexandra Sarah foi aprovada em todas as entrevistas que fez no Itaú. Veja o que ela fez diferente.

Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.

A candidata para quem o banco não conseguiu dizer não

Se tem alguém que personifica foco e estratégia quando o assunto é processo seletivo bancário, é a Alexandra Sarah Marinho. Enquanto muita gente tenta por meses sem conseguir sequer uma entrevista, ela foi aprovada em todas as entrevistas que fez no Itaú.

De dinâmica de grupo a bate-papo com gerentes regionais, ela soube exatamente o que fazer para se destacar em cada etapa. E quando pergunto a ela sobre esse resultado, a resposta é sempre a mesma: não foi sorte.

Foi estratégia. Foi preparação. E foi uma mentalidade muito específica sobre o que significa estar pronto para uma oportunidade.

Neste artigo, a Alexandra vai abrir o jogo sobre o que ela fez diferente, do currículo ao momento em que assinou o contrato.

Estratégia bate sorte toda vez. E a Alexandra tinha uma estratégia muito clara antes de entrar em qualquer sala de entrevista.

O currículo que falava a língua do mercado financeiro

Seu currículo fez diferença para ser chamada às entrevistas?

R: Sim, com certeza. Antes de enviar qualquer candidatura, fiz uma revisão completa do meu currículo para que ele falasse a língua do mercado financeiro. Usei palavras-chave como prospecção ativa, negociação consultiva e atendimento orientado a resultado, mas o diferencial foi conectar minhas habilidades transferíveis, de experiências fora do banco, com o que a vaga do Itaú pedia. Isso aumentou muito minhas chances na triagem e garantiu as chamadas para entrevista.

O que isso significa na prática: Alexandra não tinha experiência bancária antes de entrar no Itaú. Ela veio de outros setores. Mas ela fez o trabalho de tradução, entendeu quais competências do mercado bancário já exercia em outros contextos e encontrou a linguagem certa para comunicar isso.

Por exemplo: ela trabalhava com atendimento ao cliente em uma empresa de serviços. No currículo genérico, isso apareceria como 'responsável pelo atendimento ao cliente'. No currículo revisado para o banco, virou 'atendimento consultivo com foco na identificação de necessidades e fidelização de clientes, com reconhecimento consistente em avaliações de satisfação'.

Mesmo conteúdo. Linguagem completamente diferente. E o gestor bancário lê essa segunda versão e pensa: essa pessoa entende o que fazemos aqui.

A lição prática: antes de enviar qualquer currículo para o Itaú ou qualquer banco, revise cada experiência profissional e se pergunte: como essa atividade se chama no vocabulário bancário? Se você não sabe a resposta, pesquise nas descrições das vagas que você está se candidatando, elas te dizem exatamente as palavras que precisam aparecer no currículo.

A Gupy é um banco de dados, e o LinkedIn é onde as vagas realmente acontecem

Se inscrever na Gupy é suficiente para conseguir a vaga?

R: NÃO! E isso é o conselho mais importante que posso dar. A Gupy é praticamente um banco de dados, você entra lá, o algoritmo faz triagem e, se você não passar pelos filtros exatos, o currículo nunca chega num ser humano. Os gestores do Itaú contratam de verdade pelo LinkedIn. O que funciona é se conectar com os gerentes da sua região, interagir nos posts deles de forma genuína e abordar de forma pessoal. Em vez de só enviar currículos, comecei a criar conexões reais, buscando ser lembrada. Nem todos responderam, mas cada conversa me aproximava do meu objetivo.

Essa é uma das percepções mais importantes que a Alexandra traz, e que vai contra o que a maioria dos candidatos faz. A Gupy não é inútil, mas ela é apenas parte do processo. E na hierarquia de canais que realmente levam a uma contratação, o networking pelo LinkedIn costuma estar acima dela.

Como ela construiu presença no LinkedIn antes de ter a vaga:

  • Identificou os gerentes gerais e gerentes de atendimento das agências da região onde queria trabalhar
  • Seguiu e conectou com esses gestores no LinkedIn
  • Passou a interagir genuinamente com os posts deles, não com comentários genéricos, mas com contribuições reais à conversa
  • Enviou mensagens personalizadas para alguns deles, não pedindo emprego, mas se apresentando como profissional interessada no mercado bancário
  • Quando as vagas apareceram nos perfis dos gestores, não na Gupy, ela já era uma presença familiar

O resultado desse trabalho prévio é que quando ela chegou para a entrevista, o gestor já tinha uma impressão positiva formada. Não era uma desconhecida, era aquela candidata que tinha comentado de forma inteligente naquele post há três semanas.

A dinâmica de grupo: onde a maioria das pessoas perde e a Alexandra ganhou

Como você se destacou na dinâmica de grupo?

R: Confiança e escuta ativa foram o que mais me diferenciou. Desde o início, fui uma das primeiras a tomar a iniciativa de falar. Mas nunca atropelei ninguém, sempre trouxe o grupo junto. O segredo não é falar mais do que os outros, é demonstrar interesse genuíno no que os outros estão dizendo e construir a conversa a partir daí. Estudei os valores do Itaú profundamente antes e me conectei com eles de forma autêntica durante a dinâmica. Muitas vezes o que você precisa vender não é um produto bancário, é você mesmo e sua trajetória. E isso você só faz bem quando é genuíno.

A dinâmica de grupo assusta muita gente porque parece que você está em competição com os outros participantes. Mas os avaliadores não estão procurando quem 'vence' a dinâmica, estão observando como os candidatos se relacionam, lideram sem dominar, ouvem sem se perder, contribuem sem monopolizar. Eu juntei os formatos que mais caem e como treinar cada um no guia da dinâmica de vendas no banco.

O perfil que se destaca positivamente em uma dinâmica bancária:

  • Toma iniciativa cedo, não espera para ver o que os outros fazem
  • Escuta de verdade, faz referência ao que outros disseram, constrói em cima
  • Demonstra conhecimento sobre o banco sem parecer estar recitando um manual
  • Mantém postura comercial, está vendendo a si mesmo o tempo inteiro, de forma natural
  • Mantém calma quando o debate esquenta ou quando alguém discorda

A entrevista individual: o que os gestores mais valorizam

O que os gestores mais valorizam na entrevista individual?

R: Postura comercial e interesse genuíno. O recrutador fala com muitas pessoas no mesmo dia, a pergunta que fica depois de cada entrevista é: o que faria ele lembrar especificamente de mim? Eu sempre me preparei muito: pesquisava sobre o banco, sobre a agência específica quando sabia qual era, sobre os valores, sobre o segmento. Fazia perguntas estratégicas que mostravam que eu tinha pensado. E deixava minha marca de uma forma que eles não esperavam, eu sempre colocava o papel de parede do Itaú no meu computador nas entrevistas online. Isso gerava conexão imediata e um início de conversa natural sobre o banco. Um detalhe pequeno que comunicava uma coisa grande: eu já me via fazendo parte daquilo.

Esse ponto é fundamental e vale aprofundar: o que faz o gestor lembrar de você depois de um dia com 8 entrevistas?

Não é a resposta mais técnica. Não é o currículo mais bonito. É a sensação que a entrevista deixou. É o candidato que pareceu genuinamente apaixonado pela oportunidade. Que fez uma pergunta que ninguém tinha feito antes. Que trouxe uma perspectiva inesperada. Que deixou o gestor pensando: essa pessoa vai dar trabalho no bom sentido.

Como criar esse efeito na prática:

  • Pesquise sobre a agência específica se souber qual é, histórico, segmento, tipo de cliente atendido
  • Prepare 2-3 perguntas genuínas sobre o cargo, o time e a cultura, não sobre salário
  • Traga uma perspectiva própria sobre o mercado bancário, o setor ou o cargo, não só respostas para o que foi perguntado
  • Crie um elemento de memória, algo que você diz, mostra ou faz que vai ficar na cabeça do gestor

As perguntas inesperadas: como Alexandra não travou

Te fizeram alguma pergunta inesperada? Como você respondeu?

R: Sim! Me pediram para vender uma TV quebrada em uma das entrevistas. Eu fiquei calma, respirei e fui direto ao script que eu já tinha treinado para esse tipo de pergunta: reconheço a limitação do produto, reposiciono o uso, vendo o benefício emocional, fecho com confiança. Funcionou. Em outra entrevista me perguntaram qual era meu maior ponto negativo, e eu sabia que resposta genérica ali ia me destruir. Fui honesta, mostrei autoconsciência e deixei claro que estava trabalhando ativamente naquilo. O segredo para perguntas difíceis não é ter a resposta perfeita ensaiada. É manter a calma, estruturar o raciocínio em tempo real e não entrar em colapso quando sai do script.

Alexandra tinha treinado antes. Não respostas decoradas. Mas o raciocínio estruturado para qualquer tipo de pergunta. Ela conhecia os padrões por trás de cada tipo de questão e sabia o que estava sendo avaliado em cada uma.

Esse é o ponto central da preparação para entrevista: você não precisa prever qual vai ser a pergunta. Precisa entender o que cada tipo de pergunta quer revelar, e ter histórias reais, estruturadas e honestas para responder.

Essas perguntas não são aleatórias, elas têm padrão e têm resposta. Eu juntei as cinco que mais aparecem e o que cada uma está medindo de verdade no post sobre pegadinhas de entrevista em banco.

O conselho mais importante de quem foi aprovada 5 vezes

Se pudesse dar um único conselho para quem está tentando entrar no banco, qual seria?

R: Se prepare antes da oportunidade aparecer. Não espere ter a entrevista para começar a estudar o banco, revisar o currículo e treinar as respostas. Quando a oportunidade aparecer, não vai ter tempo. Eu passei meses me preparando antes de conseguir as entrevistas, e quando elas chegaram, eu já estava pronta. Quem entra no banco não é necessariamente o melhor currículo. É quem estava mais preparado no momento certo.

Essa é a síntese de tudo que a Alexandra fez diferente. A preparação não começou quando a vaga apareceu, ela começou meses antes, quando ninguém estava olhando.

O currículo foi revisado antes de precisar. O LinkedIn foi construído antes de precisar. As respostas foram treinadas antes de precisar. Os valores do banco foram estudados antes de precisar.

E quando a oportunidade apareceu, ela não estava se preparando. Ela já estava pronta.

A vaga perfeita não espera você se preparar. Você precisa estar pronto(a) antes dela aparecer.

É isso que separa quem entra em banco de quem continua tentando: não é talento, não é sorte, não é quem você conhece. É quem começou a se preparar mais cedo.

Essa conversa faz parte da série Confissões, em que quem vive o banco por dentro abre o jogo. Escolhe a próxima:

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