Confissões de uma Jovem Aprendiz do Itaú: como é o primeiro contrato dentro do banco
Fernanda Fioretti conta como conquistou a vaga de Jovem Aprendiz e o que aprendeu por lá.
Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.
O Jovem Aprendiz no banco é o cargo que mais gente subestima, e que mais gente que cresceu no mercado financeiro passou por ele.
A Fernanda Fioretti é um exemplo de como esse passo inicial pode ser muito mais estratégico do que parece. Ela conquista a C-Pro R sendo JA, começa o PARB e é selecionada para mentoria com líderes. Não pela sorte. Pela postura.
Quem abre o jogo aqui é ela mesma.
Como a Fernanda conseguiu a vaga
Como você conseguiu a vaga de Jovem Aprendiz?
R: Depois de meses acompanhando as vagas pela Gupy e LinkedIn, decidi agir: me arrumei, imprimi meu currículo e fui pessoalmente às agências. Pegava senha como cliente e pedia para falar com o gerente geral. Me apresentava e destacava meus diferenciais: C-Pro R, faculdade em andamento e facilidade com o público. Me dediquei muito antes da entrevista: fiz um cartaz com possíveis perguntas, estudei os pilares do Itaú, treinei as respostas no espelho, gravei vídeos. O segredo foi não esperar a oportunidade aparecer, mas ir atrás dela com muita preparação.
Os nomes mudaram em 2026: a CPA-10 virou CPA, e a CPA-20 e a CEA viraram C-Pro R e C-Pro I. Eu explico tudo no guia das certificações ANBIMA.
O que isso mostra: a Fernanda não entrou por acaso. Ela foi atrás antes que a vaga existisse oficialmente. Pessoalmente. Com currículo impresso. Esse nível de iniciativa, especialmente para quem está começando, é exatamente o que gestores lembram.
O dia a dia do cargo que ninguém explica
O que você aprendeu no cargo até agora?
R: O Jovem Aprendiz é a primeira pessoa a receber o cliente, o rosto da agência. As soft skills são essenciais! Nosso papel é fazer com que a jornada desse cliente seja excepcional. Precisamos de paciência e escuta ativa, aprender a lidar com diferentes perfis e adaptar a abordagem. Nosso dia a dia exige muito jogo de cintura e empatia, habilidades que vão além do banco e são valiosas pra qualquer área!
O Jovem Aprendiz é cobrado por meta de vendas?
R: NÃO! Não temos metas formais, mas participamos de atividades que ajudam a desenvolver habilidades técnicas de vendas e argumentação. Essas atividades preparam para os próximos cargos e permitem aprender de forma prática, com situações reais.
Isso é importante entender antes de entrar: o cargo não tem pressão de meta. Mas tem expectativa de postura, de proatividade, de vontade de aprender. Quem confunde ausência de meta com ausência de cobrança fica surpreso quando a avaliação chega.
Se você quer ver quanto o contrato de aprendiz paga e o que vem junto no pacote, comparado com os cargos de cima, eu juntei tudo no guia de salários do Itaú por cargo.
Como se destacar sendo JA
Que dica você daria para quem quer se destacar no cargo?
R: Seja proativo, se dedique e mostre que está disposto a ir além. Crie oportunidades, como eu fiz. E entenda a importância das certificações! Mesmo que para a vaga de J.A não seja obrigatório, tenha a mentalidade de estar à frente e buscar se diferenciar.
Dá para ser efetivado(a) direto como Agente de Negócios?
R: Normalmente seguimos a escadinha: J.A, Estagiário, AN. Isso ajuda a adquirir mais bagagem antes de assumir um cargo efetivo, onde já existem metas. Mas dependendo do seu perfil, é possível acelerar sim.
O que a Fernanda não disse explicitamente mas mostrou na prática
A Fernanda entrou no banco com C-Pro R sendo Jovem Aprendiz. Isso não é comum. E não foi sorte: foi uma escolha estratégica de se preparar além do que o cargo exigia, antecipando o próximo passo.
Essa é a mentalidade que faz alguém crescer rápido no banco: não pensar no cargo atual, mas no cargo seguinte. Não fazer o mínimo que o posto exige, mas o que o próximo posto vai precisar.
O JA que age como estagiário vira estagiário. O estagiário que age como AN vira AN. O AN que já pensa como GR chega lá mais cedo.
O banco cresce quem antecipa o próximo passo antes de precisar dele.
Como conseguir a vaga de Jovem Aprendiz
Se você quer seguir o caminho da Fernanda, o que funciona de verdade não é segredo nenhum, é ordem de prioridade:
- Não espere só pela Gupy: muitas vagas de JA circulam pelo LinkedIn pessoal dos gestores e por indicação interna
- Vá pessoalmente às agências da sua região: pegue senha como cliente, espere, peça para falar com o gerente geral e se apresente
- Tenha a CPA no mínimo: não é obrigatória para o cargo, mas separa você de 90% dos outros candidatos
- Prepare a entrevista como se fosse para um cargo acima: estude os valores do banco, treine as respostas, conheça os produtos básicos
- Demonstre postura comercial: o banco não quer o candidato mais tímido nem o mais agressivo, quer quem demonstra energia, curiosidade e vontade genuína de aprender
A vaga de Jovem Aprendiz é uma das mais democráticas de entrada no banco. Não exige experiência, não exige formação específica. Exige postura. E postura você pode preparar antes de entrar na sala. As regras do contrato, os direitos e o passo a passo pra se candidatar estão no guia completo do Jovem Aprendiz em banco.
E para ver onde esse caminho pode chegar: a Vitória entrou como aprendiz e foi efetivada como Agente de Negócios em sete meses, e contou o que fez nesse período na entrevista sobre a efetivação dela em 7 meses.
O que fazer antes de conseguir a vaga
Enquanto você está buscando a vaga de JA, há três coisas que fazem diferença concreta antes de qualquer entrevista.
A primeira é a CPA. Não é obrigatória para o cargo, mas sinaliza seriedade e separação do candidato da maioria que não se preparou. Se a Fernanda tirou a C-Pro R sendo JA, imagina o impacto de chegar na entrevista já com a CPA.
A segunda é o LinkedIn ativo. Muitas vagas de Jovem Aprendiz circulam pelos perfis pessoais de gerentes gerais antes de chegar em qualquer plataforma. Seguir gestores da sua região e interagir com o conteúdo deles coloca você no radar antes da vaga existir.
A terceira é exatamente o que a Fernanda fez: ir pessoalmente. Pode parecer antiquado. Não é. Para um cargo onde postura e presença são avaliadas desde o primeiro segundo, aparecer pessoalmente já é uma demonstração do que você vai entregar na agência.
Uma última observação sobre o cargo
O Jovem Aprendiz que trata o cargo como ponto de partida estratégico tem uma vantagem enorme sobre quem trata como um emprego temporário.
Porque o banco observa. O gestor observa. Os colegas observam. E quem demonstra, desde o primeiro cargo, que pensa além do que é pedido, que aprende antes de ser cobrado, que se prepara para o próximo passo antes de precisar dele, fica na memória de quem decide quem vai subir. A Fernanda entendeu isso. E foi isso que fez ela ser diferente.
O que distingue os JAs que viram referência dos que ficam esquecidos
Depois de acompanhar vários Jovens Aprendizes ao longo dos anos, um padrão ficou claro.
Os que ficam na memória do gestor e do time não são os que mais sabem de produto no começo. São os que demonstram desde o primeiro dia que querem aprender mais do que é pedido, que perguntam quando não entendem em vez de fingir que entenderam, que chegam cedo, que ficam até o fim quando algo está acontecendo, que tratam o colega mais experiente com respeito genuíno e não com reverência forçada.
Esses comportamentos parecem pequenos. Não são. Eles constroem uma reputação que precede qualquer avaliação formal. E quando chega a hora de decidir quem vai para o próximo cargo, o gestor pensa primeiro em quem ele já conhece de verdade.
A Fernanda entendeu isso antes de entrar. Foi por isso que conseguiu a vaga indo pessoalmente, por isso tirou a C-Pro R antes de precisar, por isso foi selecionada para mentoria com líderes ainda como JA. O primeiro cargo no banco não é onde você chega. É onde você mostra quem vai ser. 🫶🏻
Essa conversa faz parte da série Confissões, em que quem vive o banco por dentro abre o jogo. Escolhe a próxima: