100 anos de Itaú: quando entrei, me senti vivendo um sonho! Mas logo descobri que o ‘felizes para sempre’ não vem fácil.

Toda relação tem suas crises. Uma reflexão sobre a jornada bancária nos 100 anos do Itaú.

Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.

Sabe aquele início de namoro? Tudo novo, tudo lindo, tudo carregado de possibilidade.

Comigo foi assim quando entrei no Itaú. Cheguei cheia de expectativas, pronta para me entregar e abraçar tudo que viesse. 🥰

Mas como em qualquer relação, a realidade logo bate. A rotina atravessa. Metas, cobranças, trânsito, dias difíceis, clientes difíceis, decisões que pesam, momentos que você não esperava.

Nossa primeira crise.

E é aí que a jornada de verdade começa.

O que ninguém conta sobre durar no banco

Quem dura bem numa carreira bancária longa aprende algo que não está em nenhum treinamento: o desafio não é manter a paixão do início. É transformá-la em algo muito mais profundo.

É entender que nem todos os dias serão fáceis. Que haverá meses em que a meta parece impossível, semanas em que o time está no limite, momentos em que você questiona se ainda faz sentido estar ali.

E o que te faz ficar e evoluir, nesses momentos, não é motivação. É compromisso. É a certeza de que o que você está construindo vale o processo, incluindo as partes difíceis.

Tem um pedaço dessa conversa que é mais delicado e que eu precisei escrever separado, num post sobre o que o banco faz com o jeito da gente ao longo do tempo.

O que a metáfora do namoro revela de verdade

Quando uso a comparação com um relacionamento, não é só poesia.

É porque carreira longa em qualquer lugar exige o mesmo que relacionamento longo: a disposição de continuar quando não está fácil, a capacidade de encontrar renovação mesmo depois de anos de rotina, e a honestidade de reconhecer quando algo precisa mudar, sem abandonar o que foi construído.

No banco, isso aparece de formas muito concretas.

O gestor que você adorava saiu. O segmento que você dominou mudou de modelo. A meta que parecia razoável triplicou. O produto que você vendia bem foi descontinuado.

Cada uma dessas situações é uma crise na relação. E cada uma delas exige a mesma pergunta: o que me faz continuar?

Quando a resposta existe, quando você ainda encontra propósito no que faz, quando ainda tem curiosidade sobre onde a carreira pode ir, quando ainda sente que o trabalho tem significado além do salário, você atravessa.

Quando a resposta some, é hora de ter outra conversa consigo mesmo.

O que 100 anos de Itaú representam

O Itaú completou 100 anos em 2024. Cem anos de história, de crises atravessadas, de modelo reinventado, de mercado que mudou e de instituição que se adaptou.

Isso não aconteceu sozinho. Aconteceu com milhares de pessoas que, em cada geração, escolheram construir algo junto com a instituição: que atravessaram as crises delas, encontraram propósito no meio do processo, e deixaram alguma coisa do que foram naquele lugar.

Eu celebro minha parte nessa história com a certeza de que lutei por nós em todas as nossas fases. Nos momentos de paixão do início. Nas crises do meio. Na maturidade de quem entende que o valor de uma trajetória não está só nas conquistas: está em tudo que você aprendeu no caminho, especialmente nas partes que não foram fáceis.

O que uma carreira bancária longa ensina sobre a vida

Vinte anos depois de ter entrado pela primeira vez numa agência, primeiro na Renner, depois no Itaú, o que eu levo não é o currículo. É o que o processo formou em mim.

A capacidade de entregar resultado sob pressão sem perder de vista o que importa.

A habilidade de liderar pessoas que estão no limite sem deixar que o limite te defina.

A clareza de que resultado sustentável vem de relação genuína, com cliente, com time, com a própria trajetória.

E a certeza de que carreira, como qualquer relação que dura, não se sustenta em paixão constante. Se sustenta em amor: que é escolha, todos os dias, de continuar construindo mesmo quando não é fácil. Parabéns, Itaú, pelos 100 anos. E obrigada pela trajetória que a gente construiu juntos.

O que fica depois de uma trajetória longa

Existe uma pergunta que todo profissional com trajetória longa numa organização eventualmente enfrenta: o que eu construí aqui que vai durar depois de mim?

Não no sentido de legado grandioso. No sentido prático de o que você fez que importou de verdade: para as pessoas que trabalharam com você, para os clientes que você atendeu, para os colaboradores que você desenvolveu.

A meta de abril de 2018 não vai ser lembrada por ninguém. Mas a liderança que você exerceu com um colaborador que estava no limite, a escuta que você teve com o cliente que não sabia como resolver a situação financeira dele, o espaço que você criou para alguém crescer, esses ficam.

Ficam na trajetória das pessoas que passaram por você. Ficam no jeito que elas trabalham depois. Ficam nas histórias que elas contam sobre quem as formou.

Esse é o legado real de uma carreira bancária longa. E quando você olha para trás com clareza, percebe que as partes mais importantes não foram as métricas. Foram as pessoas.

E isso vale para qualquer centenário, de instituição ou de carreira. O que dura não é o número. É a conexão.

Para quem está no começo da carreira bancária

Se você está lendo isso como alguém que acabou de entrar no banco, ou que está tentando entrar, esse texto tem um recado específico para você.

O começo é a parte mais intensa. É quando tudo é novo, quando a curva de aprendizado é mais íngreme, quando a pressão parece maior do que você estava preparado(a) para enfrentar.

Mas é também quando a formação é mais rica. Cada semana no banco no começo da carreira vale por meses de experiência em ambientes menos exigentes.

A paixão do início vai esmorecer em algum momento: não porque o trabalho ficou ruim, mas porque a novidade passa e a realidade fica. O que você vai construir a partir desse momento é o que vai definir o tipo de profissional que você vai ser.

Comprometimento. Crescimento. Amor pelo que faz: não como sentimento constante, mas como escolha diária de continuar construindo.

Cem anos de Itaú são cem anos de pessoas que fizeram essa escolha. E o próximo capítulo dessa história tem o seu nome nele.

Parabéns, Itaú Unibanco, pelos seus 100 anos de existência. Eu celebro minha parte nessa jornada, com a certeza de que lutei por nós em todas as nossas fases.

E para cada profissional bancário que está no meio do caminho, sem ter clareza ainda do que vai olhar para trás e celebrar: continua. O que você está construindo hoje tem mais valor do que parece agora. E um dia você vai saber exatamente o que quis dizer com isso.

Uma última coisa sobre o amor pelo que se faz

Amor pelo trabalho não é sentir borboletas na barriga toda manhã. Não é acordar animado todos os dias. Não é nunca questionar se vale a pena.

Amor pelo trabalho é o que te faz voltar mesmo depois dos dias mais difíceis. É o que te faz investir em melhorar mesmo quando o resultado imediato não aparece. É o que te faz encontrar significado mesmo na rotina que já não tem nada de novo.

E amor, como qualquer coisa que dura, se reconhece mais claramente quando você para e olha para trás do que quando está no meio do processo.

Cem anos de Itaú são cem anos de pessoas que amaram o que construíram: mesmo nas crises, mesmo nas mudanças, mesmo quando não estava fácil.

Que o próximo capítulo seja escrito com o mesmo compromisso. E que cada profissional bancário que está no começo da jornada encontre, um dia, a clareza de olhar para trás e saber: valeu. 🧡

Leia também: o que realmente acontece nos bastidores das promoções do Itaú.

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