Confissões de um Gerente Uniclass do Itaú: como acelerar sua promoção e crescer dentro do banco
Matheus Guimarães entrou no Itaú como Jovem Aprendiz e em menos de três anos já era Gerente Uniclass. Ele conta o que realmente faz diferença para crescer rápido.
Por Karina Sant'Anna, mentora de carreira bancária, com mais de 10 anos no banco.
O Matheus Guimarães entrou no Itaú como Jovem Aprendiz e, em menos de três anos, já era Gerente Uniclass. Um dos maiores cases de aceleração de carreira que acompanhei de perto. Durante a trajetória, foi destaque regional e carimbou o Top 10 Brasil. 🏆
Mas o que me chama atenção no Matheus não é o resultado em si. É o que ele fez para chegar lá, e a forma como ele pensa sobre carreira. Aqui, ele abre o jogo sobre o que realmente separa quem cresce rápido de quem fica estagnado.
O que foi decisivo para acelerar o crescimento
O que foi decisivo para acelerar seu crescimento no banco?
R: Propósito. Eu sempre soube o que queria e corri atrás para conseguir. Nunca fiquei satisfeito em entregar apenas 100%, porque 100% é o mínimo esperado de qualquer um. O que me ajudou de verdade foi enxergar cada fase da minha trajetória como um degrau: eu estava com o pé em um, mas já focando no próximo, pensando com a cabeça do cargo acima. Quando a oportunidade chegou, eu já estava pronto para ela. Não é sorte quando você se preparou para o momento. E essa mentalidade faz toda a diferença: quem espera a oportunidade aparecer para começar a se preparar chega atrasado. Quem se prepara antes, quando a oportunidade surge, já tem o perfil formado.
A maior armadilha de quem quer ser promovido
Qual é a maior armadilha para quem quer ser promovido no banco?
R: Acreditar que tempo de casa garante crescimento. Esse é o erro mais comum e mais caro que vejo. O banco não promove por antiguidade, promove por desempenho e por impacto. Se você não se destacar, pode passar anos no mesmo cargo vendo outras pessoas crescerem na sua frente e não entendendo por quê. O tempo que você está no banco conta na sua trajetória, mas não na decisão de promoção. O que conta é o que você entregou, como você entregou, e o que você demonstrou ser capaz de fazer a mais do que foi pedido. Conheço pessoas que fizeram o caminho de JA a GG em cinco anos e pessoas que ficaram dez anos no mesmo cargo esperando que o banco reconhecesse o tempo delas. Tempo não é argumento. Resultado é.
Por que alguns crescem rápido e outros ficam parados
Por que você acha que algumas pessoas conseguem promoção rápido enquanto outras passam anos no mesmo cargo?
R: Todo mundo precisa entender que bater meta é o mínimo. É a sua obrigação no cargo. Isso até te coloca no radar, mas sozinho não garante promoção. O que realmente faz diferença é o impacto que você gera no ambiente ao redor, no seu time, na sua agência, na sua regional. Quem cresce rápido não é só quem entrega número, é quem resolve os problemas que o gestor não deveria precisar resolver, quem compartilha conhecimento sem ser pedido, quem puxa o colega que está travado em vez de deixar ele ficar para trás. Você tem que se tornar indispensável, não porque ninguém consegue trabalhar sem você, mas porque quando você não está, o ambiente sente. Essa presença positiva é o que o comitê de avaliação discute quando o nome do colaborador aparece.
O que colocou o Matheus entre os 10 melhores do Brasil
O que te colocou entre os 10 melhores do Brasil?
R: Sangue nos olhos e disciplina. Minha maior competição sempre foi comigo mesmo, nunca com o colega ao lado. Quando era Jovem Aprendiz, via os ANs indo para a premiação e pensava: quando chegar minha vez, eu também vou estar lá. Não era arrogância, era visualização de onde queria chegar. Ralei muito para fazer isso acontecer. Trabalho consistente, semana após semana, mesmo nos meses que não foram bons. E uma coisa importante: eu nunca funcionei no automático. Cada atendimento, cada ligação, cada campanha, eu me perguntava o que podia fazer diferente, o que podia aprender, o que podia melhorar em relação à vez anterior. Consistência com reflexão é muito mais poderosa do que esforço sem aprendizado.
Networking: contato ou reconhecimento
Precisa ter networking para ser promovido?
R: Quem não é visto não é lembrado. Isso é verdade. Mas networking não é sobre depender de indicação ou ter o "padrinho certo". É sobre ser reconhecido pelo seu trabalho por pessoas além do seu gestor direto. Quando você entrega resultado, se posiciona, participa das salas de performance, aparece nos momentos que importam, você naturalmente constrói uma rede de pessoas que acreditam em você e enxergam seu potencial. Essa rede faz diferença no comitê de avaliação, onde o seu gestor não é o único que fala sobre você. Ter outras vozes na sala que conhecem seu trabalho e podem confirmar o que o seu gestor diz é o que torna a defesa da sua promoção muito mais sólida.
O momento mais marcante da trajetória
Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória até aqui?
R: As pessoas podem achar que foram as promoções, ou o Top 10 Brasil, ou alguma premiação. Mas não. O momento mais marcante foi ver pessoas que eu ajudei sendo promovidas e se tornando destaque. Bater meta e crescer na carreira é incrível, e eu nunca vou diminuir isso. Mas ajudar alguém a alcançar o sonho que eu já alcancei é uma sensação completamente diferente. É o que faz o trabalho ter um significado que vai além do número no ranking.
O que a trajetória do Matheus ensina para quem está começando
Três anos de JA a Gerente Uniclass não acontece por acaso. Acontece quando alguém decide, desde o primeiro cargo, agir como se já estivesse no próximo.
Matheus não esperou ser Agente de Negócios para pensar como AN. Não esperou ser GR para pensar como GR. Em cada passo, ele já estava mentalmente no passo seguinte: não por ansiedade, mas por preparação intencional.
E o resultado de Top 10 Brasil não veio de um mês excepcional. Veio de meses e meses de consistência com reflexão, de trabalho que não para no automático, de presença que vai além do próprio cargo. Esse é o perfil que o banco promove. E agora você sabe exatamente como construir.
O que o banco Uniclass exige que o varejo não exige
O segmento Uniclass atende um perfil de cliente específico: pessoa física com renda ou investimentos acima da média do varejo, que já tem alguma sofisticação financeira e que espera atendimento consultivo de verdade.
Isso muda o perfil do cargo de forma significativa. No varejo, o volume de atendimento é alto e o tempo por cliente é curto. No Uniclass, a profundidade do relacionamento é o que diferencia. O cliente espera que o gerente conheça a situação financeira dele, entenda os objetivos, e apresente soluções que façam sentido para aquele contexto específico.
Para o Matheus, a transição para o Uniclass não foi só uma promoção de cargo. Foi uma mudança de mentalidade sobre o que significa atender bem. E foi exatamente essa capacidade de se adaptar à profundidade que o segmento exige que o colocou no Top 10 Brasil.
Quem está mirando o Uniclass precisa entender isso antes de chegar: não é sobre volume, é sobre profundidade. E profundidade exige preparo técnico e emocional que não acontece de uma hora para outra. 🫶🏻
Essa conversa faz parte da série Confissões, em que quem vive o banco por dentro abre o jogo. Escolhe a próxima:
Leia também: o que realmente faz alguém crescer no banco, na visão de quem viveu isso.